sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Papagaio que Pedia Liberdade

   Esta é a história de um papagaio muito contraditório. Havia já uns tantos anos que esse papagaio vivia em uma gaiola muito cômoda, que o seu proprietário, um tranquilo ancião ao qual o animal fazia companhia, mantinha limpa e com a água e a comida necessárias.

   Certo dia, o ancião convidou um amigo seu à sua casa, para desfrutar de um saboroso chá do Sri Lanka.

   Os dois homens se puseram no salão, sentados bem perto de uma janela, ao lado da qual se encontrava o papagaio em sua gaiola. Logo, quando estavam os dois homens bem acomodados, a tomar o chá, o papagaio começou a berrar, insistentemente:

-- Liberdade, liberdade, liberdade!

   Não parava de pedir pela liberdade... Durante todo o tempo em que o convidado esteve na casa, o animal não deixou de reclamar por liberdade de uma maneira angustiante. Tão angustiante era o seu pedido que o convidado sentiu-se apiedado, e nem mesmo pode terminar de saborear comodamente a sua xícara de chá, decidindo por encerrar a sua visita. Estava ele já saindo porta afora, porém continuava ouvindo os veementes gritos do papagaio:

-- Liberdade, liberdade, liberdade!

   Dois dias se passaram. Aquele que fora o convidado não podia deixar de sentir compaixão pelo papagaio. Mas era tanto o quanto o perturbava o estado daquele pobre animal, que decidiu então que seria necessário pô-lo em liberdade. E ele tramou um plano. Sabia quando o ancião deixava sua casa para ir às compras -- ele ia então se aproveitar dessa ausência e libertar o pobre papagaio de sua triste gaiola.

   E assim o fez. Um dia depois, na hora adequada, o tal convidado pôs-se por perto da casa do ancião, e, quando o viu sair, correu até sua casa, abriu a porta com uma gazua e entrou no salão -- onde o papagaio continuava berrando:

-- Liberdade, liberdade, liberdade!

   Isso partia o coração daquele que fora o convidado. Quem não sentiria pena do animalzinho? De pronto, ele se aproximou da gaiola e abriu a sua portinhola. Então o papagaio, apavorado, pulou para o outro lado da gaiola e, agarrando as barras com seu bico e unhas, bem se recusou a dela sair.

   O convidado foi se afastando, confuso e apiedado. Apesar de ter a portinhola aberta, o papagaio permanecia no fundo da gaiola, já se aquietando; de quando em vez, porém, continuava resmungando:

-- Liberdade, liberdade, liberdade...


Assim como esse papagaio, são muitos os seres humanos que dizem querer a liberdade -- os quais, todavia, acostumaram-se de tal maneira à sua gaiola que, na realidade, têm medo de abandoná-la...


Conto de origem desconhecida
(Em uma versão das Edições Natura naturans)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

"Degelo na Groenlândia e na Antártida Dobra em Cinco Anos"

Essa matéria, publicada meses atrás no site "G1 -- Natureza", tinha me passado despercebida; no entanto, numa certa perspectiva, é bastante importante; por isso, assim que a "redescobri", decidi "resgatá-la". Nela podemos acompanhar uma das bizarrices mais sinistras da modernidade: a tecnologia e a ciência servindo de recurso e referência para que os cientistas identifiquem mais e mais manifestações de destruição da Natureza selvagem -- cuja causa maior, talvez mesmo única, cremos que seja o avanço tecnológico e industrial.

"A redução da área de gelo da Groenlândia e Antártida, as duas principais capas de gelo do planeta, dobrou desde 2009, de acordo com um estudo que analisou imagens de um satélite europeu."

"Os mapas mostram os resultados dos modelos de elevação gerados pela equipe alemã":

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Um Conto Moderno

   Numa bela tarde, ao passar por perto de um rio, um próspero comerciante deparou-se com um pescador fumando tranquilamente o seu cigarrinho, recostado junto a uma canoa. Horrorizado com aquilo, o comerciante bruscamente parou e perguntou àquele pescador:

-- Por que você não está pescando?

-- Porque eu já pesquei bastante por hoje -- respondeu o pescador.

-- Mas por que você não sai para pescar mais peixes?

-- E o que eu ia fazer com mais peixes? -- perguntou o pescador.

-- Você venderia os peixes e ganharia dinheiro. Com o dinheiro, você poria um motor na sua canoa, e assim você iria mais rápido e mais longe, para pescar mais peixes. E aí, então, você teria dinheiro para comprar redes novas de nylon, e poderia pescar mais peixes ainda, e ganharia ainda mais dinheiro. E logo você teria dinheiro para ter outra canoa, e também mais redes. E poderia ficar rico, rico como eu.

-- E o que eu ia fazer, se ficasse assim, rico como você? -- perguntou o pescador.

-- Você poderia descansar e aproveitar a sua vida -- finalmente.

-- Mas afinal, o que você acha que eu estou fazendo agora? -- respondeu então o satisfeito pescador...

Conto de origem desconhecida

(Em uma versão das Edições Natura naturans)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

"Por que a alergia é tão comum hoje em dia?"...

Pesquisadores acreditam que estilo de vida ocidental nos torna mais suscetíveis a alergias.

Essa notícia, publicada ontem -- 28 de agosto de 2014 -- no site "BBC Brasil", apresenta uma matéria científica que parte desta pergunta: "... se a alergia não acometia as gerações de nossos avós, qual é a causa da doença que acomete centenas de milhares de pessoas todos os anos?"

A resposta para tal pergunta poderá surpreender muita gente...

O argumento da matéria compara a vida e a saúde humanas em comunidades primitivas e em nossa sociedade moderna, na qual práticas e hábitos limitados aos ambientes artificiais e uma grande dependência da tecnologia médica são cada vez mais (perigosamente) comuns.

A notícia, na íntegra, está aqui:

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"Homens preferem receber ordens de robôs que de chefes"...

... É o título de uma notícia publicada ontem -- 24 de agosto de 2014 -- no site "Terra -- Notícias...".

Essa matéria faz a divulgação de uma pesquisa do renomado Instituto de Tecnologia da Massachusetts, cujos resultados teriam identificado que os humanos "preferem receber ordens de robôs".

A notícia, além de (penso eu) soturna, é laica e breve, fácil de ler; pergunto-me, porém, se as consequências que esse tipo de conhecimento e de sua propaganda podem vir a ter sobre e contra a liberdade e a autossuficiência humanas serão também tão facilmente discernidas...

Eis o texto na íntegra, aqui:

domingo, 8 de junho de 2014

Thoreau -- La vida sublime

Uma biografia em "quadrinhos" de Henry Thoreau -- referência intelectual e moral muito frequente entre os que defendem a Natureza selvagem e/ou afirmam a importância e a possibilidade da autossuficiência humana --, criada pelos franceses Le Roy e A. Dan e traduzida para o espanhol, foi lançada em Espanha pela editora Impedimenta (2013).


A editora disponibiliza o primeiro capítulo do livro para visualização -- cf. em:

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"A Sociedade Industrial e o Futuro da Humanidade"

Um interessante artigo sobre alguns aspectos de uma renovada (e tida também, frequentemente, por inesperada...) influência do pensamento de Ted Kaczynski sobre algumas críticas da sociedade industrial e/ou da tecnologia* pode ser encontrado no blog "Hum Historiador", do historiador brasileiro José Rogério Beier:


A sua posição, equilibrada e bem referenciada, reconhece e ressalta a urgência das questões propostas por, desde ou a partir da leitura do "Manifesto Unabomber", sem estabelecer qualquer compromisso ideológico** com o pensamento de Ted Kaczynski -- o que por si só torna importante a sua leitura, principalmente àqueles que sentem a necessidade de se posicionar, tanto radical quanto racionalmente, acerca dessas questões.

* Dessas críticas, a mais conhecida, talvez, seria o já recorrentemente citado artigo "Por que o futuro não precisa de nós", de Bill Joy.
** Já o blog Gente chimarrona expressa e assume uma posição favorável à crítica da sociedade industrial e da tecnologia e sua influência pelo pensamento de Ted Kaczynski -- "The Unabomber".

sexta-feira, 11 de abril de 2014

"Os 8 passos para se tornar um sobrevivencialista"

Uma das postagens mais interessantes e úteis que já encontramos no site Sobrevivencialismo -- "Os 8 passos para se tornar um sobrevivencialista" -- apresenta um vídeo com uma rápida, porém consistente (e, o mais importante: aplicável!) "palestra" sobre a/(s) ideia/(s) e a prática do sobrevivencialismo e da preparação para crises.

Além de orientar aqueles que começam a se interessar pelo tema -- por ex., calcando a importância de uma identificação racional, concreta e realista das crises para as quais podemos e deveríamos nos preparar --, essa "palestra" ajuda também na orientação daquele que já se dedica ao sobrevivencialismo -- por ex., tratando de esclarecer a diversidade de ideias que perpassam e definem a prática sobrevivencialista, quando distingue um "sobrevivencialismo urbano" de um sobrevivencialismo... digamos... rural, mateiro ou mesmo selvagem (que é o que valorizamos e defendemos), ou quando insiste, com procedência, na necessidade de se acumular e desenvolver conhecimento e habilidades em sobrevivencialismo não apenas pelos estudos e exercícios individuais (que entendemos, sim, como imprescindíveis), como também pela troca de informações e conhecimento -- a qual, cremos nós, cá do Gente chimarrona, caberia ocorrer em pequenos grupos de indivíduos comprometidos com a defesa da Natureza selvagem.

sábado, 5 de abril de 2014

A Sociedade Industrial e Seu Futuro -- resumos dos capítulos

Este manifesto -- A Sociedade Industrial e Seu Futuro --, que foi elaborado por Ted Kaczynski e está para ser publicado em português por uma iniciativa da qual participa este blogueiro do Gente chimarrona, é uma análise de como e por que o desenvolvimento tecnológico se converteu em uma gravíssima ameaça à liberdade individual e à Natureza selvagem. Eis -- aqui -- os seus capítulos brevemente resumidos, o que nos dá uma ideia da estrutura e do conteúdo dessa obra.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Autodefesa Contra o Crime e a Violência

Visitando a Livraria da Editora Baraúna -- Editora pela qual está para ser publicada a nova versão (em português) de A Sociedade Industrial e Seu Futuro --, ficamos conhecendo o livro Autodefesa Contra o Crime e a Violência, de Humberto W. S. de Oliveira, publicado pela Baraúna em 2013, obra que apresenta questões bastante interessantes:


“Quantas vezes você já pensou na possibilidade de ser vítima de um criminoso? (...) O que as infelizes vítimas de assassinos, torturadores e estupradores pensaram e fizeram ao se verem à beira da morte? (...) O que você faria se fosse com você? O que gostaria que sua esposa ou sua filha fizesse para estar a salvo? Este livro visa responder a essas perguntas, ou seja, oferecer o conhecimento necessário para que você seja capaz de se defender antes e durante um crime.”


Há uma digitalização parcial do livro em:

quinta-feira, 27 de março de 2014

Da esquerda para a direita, o rancor pelo ecologismo...

Um breve artigo do economista Joan Martinez Alier, disponível no site da revista jornalística "CartaCapital", chama nossa atenção para a incipiente, porém crescente "guerra suja" -- tanto disfarçada quanto efetiva, pois difamatória e violenta, ao mesmo tempo -- levada a cabo pelos governos latino-americanos (de esquerda ou de direita) contra quaisquer "homens comuns" que, de alguma forma, defendam antes a Natureza e o meio ambiente que o funcionamento do sistema:

“Enquanto centenas de ecologistas populares foram mortos na América Latina, governos de esquerda e de direita se unem para atacar quem defende o meio ambiente.”

domingo, 23 de março de 2014

A Sociedade Industrial e Seu Futuro -- em edição pela Baraúna

Está para ser publicada, agora em português, uma nova versão completa e autorizada da mais conhecida obra de Ted Kaczynski -- A Sociedade Industrial e Seu Futuro --, em uma iniciativa de responsabilidade da equipe das Edições Natura naturans, da qual faz parte este blogueiro do Gente chimarrona; esse projeto foi viabilizado através de uma parceria firmada com a Editora Baraúna.


A Editora Baraúna trabalha com publicações de diversos gêneros -- como, por ex., de Crônicas, Ecologia, Filosofia, História, Jornalismo, Psicologia, Sociologia, etc. --, produzindo livros com um bom acabamento e oferecendo um eficaz serviço de livraria virtual, o que se configurou para a nossa equipe como bastante adequado para a realização desse projeto.

sábado, 22 de março de 2014

Autossuficiência e Segurança (pessoal, familiar, comunitária, etc.)

Hoje em dia, as autoridades governamentais ou as grandes empresas detêm praticamente todas as prerrogativas legais e os recursos técnicos e materiais para realizar e manter tanto a “segurança pública” quanto a “segurança privada ou particular”.

Recusar nos submetermos a isso é impraticável: essa “segurança” é forçosamente limitada à submissão, e nos deixa à mercê das grandes organizações, que trocam essa nossa submissão por sua “proteção”.

No entanto, os crimes “ordinários” cometidos contra as pessoas (roubos, assaltos, agressões, estupros, assassinatos, etc.) não parecem cessar, nem mesmo diminuir.

Na prática, não temos como de fato nos sentirmos seguros, seja como indivíduos, seja como participantes de pequenos grupos (de familiares, amigos, colegas, vizinhos, etc.).

Algumas iniciativas isoladas parecem tentar minimizar esse sentimento; um exemplo disso são os grupos de vigilantes ou patrulheiros voluntários organizados pelos Guardian Angels (1ºlink -- em inglês), que surgiram nos Estados Unidos ao final da década de 1970 (conhecem a canção Red Angel Dragnet, da banda The Clash? é sobre esse movimento...) e que se foram formando também em diversos outros países, como Canadá, Inglaterra, Japão, África do Sul, Nova Zelândia, Filipinas, México, etc. (2º link -- em inglês) -- e também no Brasil, onde, porém, os Guardian Angels parecem atuar mais (ou apenas, talvez) como um complemento assessório das forças policiais.

Mas as tendências na economia, na política e na cultura atuais, desde algo antes de agora e para bem adiante, nos mostram apenas o avanço do controle do sistema formado pelas grandes organizações sobre as vidas das pessoas... e o avanço de uma certa harmonização entre o funcionamento desse sistema e a ocorrência dos crimes “ordinários".

E essa combinação crítica, entre um completo controle das pessoas e a conivência com os crimes que diretamente as atingem, faz com que o futuro das pessoas nesta sociedade seja não apenas incerto, como também mais e mais inseguro, e até mesmo insustentável.

Cremos, pois, que se possa concluir que, mais do que nunca, se faz necessária a afirmação da autonomia humana frente e contra o sistema das grandes organizações.