sábado, 22 de março de 2014

Autossuficiência e Segurança (pessoal, familiar, comunitária, etc.)

Hoje em dia, as autoridades governamentais ou as grandes empresas detêm praticamente todas as prerrogativas legais e os recursos técnicos e materiais para realizar e manter tanto a “segurança pública” quanto a “segurança privada ou particular”.

Recusar nos submetermos a isso é impraticável: essa “segurança” é forçosamente limitada à submissão, e nos deixa à mercê das grandes organizações, que trocam essa nossa submissão por sua “proteção”.

No entanto, os crimes “ordinários” cometidos contra as pessoas (roubos, assaltos, agressões, estupros, assassinatos, etc.) não parecem cessar, nem mesmo diminuir.

Na prática, não temos como de fato nos sentirmos seguros, seja como indivíduos, seja como participantes de pequenos grupos (de familiares, amigos, colegas, vizinhos, etc.).

Algumas iniciativas isoladas parecem tentar minimizar esse sentimento; um exemplo disso são os grupos de vigilantes ou patrulheiros voluntários organizados pelos Guardian Angels (1ºlink -- em inglês), que surgiram nos Estados Unidos ao final da década de 1970 (conhecem a canção Red Angel Dragnet, da banda The Clash? é sobre esse movimento...) e que se foram formando também em diversos outros países, como Canadá, Inglaterra, Japão, África do Sul, Nova Zelândia, Filipinas, México, etc. (2º link -- em inglês) -- e também no Brasil, onde, porém, os Guardian Angels parecem atuar mais (ou apenas, talvez) como um complemento assessório das forças policiais.

Mas as tendências na economia, na política e na cultura atuais, desde algo antes de agora e para bem adiante, nos mostram apenas o avanço do controle do sistema formado pelas grandes organizações sobre as vidas das pessoas... e o avanço de uma certa harmonização entre o funcionamento desse sistema e a ocorrência dos crimes “ordinários".

E essa combinação crítica, entre um completo controle das pessoas e a conivência com os crimes que diretamente as atingem, faz com que o futuro das pessoas nesta sociedade seja não apenas incerto, como também mais e mais inseguro, e até mesmo insustentável.

Cremos, pois, que se possa concluir que, mais do que nunca, se faz necessária a afirmação da autonomia humana frente e contra o sistema das grandes organizações.