sábado, 15 de março de 2014

As crises da civilização e do progresso

Aos que acreditam no valor intrínseco da “civilização” e do “progresso” e na viabilidade do “desenvolvimento sustentável”, sugerimos uma atenção mais reflexiva para fatos que são até mesmo comumente noticiados pela mídia.

Por ex., as notícias sobre “catástrofes naturais”.

“Catástrofe” é um acontecimento calamitoso e trágico; logo, um acontecimento danoso e inelutável que atinge, pois, os... seres humanos; logo, tanto mais frequentes ou intensos quanto forem a proporção ou a aglomeração da população atingida.

Cremos que se caberia considerar que as chamadas “catástrofes naturais” melhor seriam chamadas “catástrofes socioambientais”: secas ou enchentes, deslizamentos, pragas, epidemias, etc., tudo isso só assume dimensões ditas catastróficas não por existirem “naturalmente”, mas por terem surgido e se desenvolvido com a “civilização” e seu “progresso”; logo, são acontecimentos catastróficos somente por atingirem aqueles mesmos que se fizeram e fazem atingir, ou seja, os seres humanos (cada vez mais) aglomerados em populações com já enormes (e cada vez maiores) proporções.

Essas ditas “catástrofes naturais” são resultados das danosas e inelutáveis ações das sociedades humanas nos ambientes que habitam e sobre toda a Natureza; esses resultados não podem ser ignorados, mas também não podem ser socialmente considerados em suas reais dimensões -- pois isso levaria ao questionamento do “progresso”, da “civilização”, etc. -- e, por isso, são reinterpretados às avessas (como num sonho em que se perde uma verdade terrível) e descritos e explicados -- pelas academias, pelos meios de comunicação, pelas escolas, etc. -- como... “catástrofes naturais”.

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No link, uma berrante ilustração dos resultados do “progresso” da “civilização” nos sertões do Brasil -- "ondas engolem casas, e peixes aparecem mortos, enquanto pescadores passam fome" --, num artigo da agência Pública*:

*Pública – agência de reportagem e jornalismo investigativo – é uma parceira do WikiLeaks no Brasil.